Anúbis: Descubra a Simbologia do Guardião dos Mortos

Anúbis é uma das figuras mais icônicas da mitologia egípcia. Com cabeça de chacal e corpo humano, ele era o responsável pela mumificação e proteção das almas para o além. Mas o que exatamente significa o chacal, e por que Anúbis possui essa forma? A escolha deste animal tem um simbolismo profundo e revela segredos fascinantes sobre o papel de Anúbis no Egito Antigo. Vamos mergulhar na simbologia do chacal e explorar o que ela nos ensina sobre o “Guardião dos Mortos”.
Quem Foi Anúbis?
Anúbis, “Inpu” na língua egípcia antiga, era um deus intimamente associado à morte, à mumificação e ao julgamento das almas. Além disso, é descrito como “Senhor do Sagrado Terraço”, onde os corpos eram preparados para a mumificação. De fato, tal prática era essencial para garantir que o corpo e a alma pudessem sobreviver à morte. Por consequência, sua popularidade reflete a importância de sua função: garantir uma transição segura para o além, guiando e protegendo as almas.
O Simbolismo do Chacal
O chacal, animal que compõe a cabeça de Anúbis, era conhecido por rondar cemitérios e áreas desérticas no Egito Antigo. Esse comportamento instigou um misto de respeito e temor, pois era visto como uma figura capaz de “proteger” os mortos. O chacal era tanto um guardião quanto um potencial destruidor. Devido a essa dualidade inspirou o papel de Anúbis como protetor dos túmulos e guia dos falecidos.
Além disso, o chacal era associado à regeneração e à preservação. Assim como o chacal “protegia” os mortos de serem perturbados, Anúbis preservava os corpos através da mumificação. Dessa forma garantia que eles resistissem ao tempo e estivessem prontos para o renascimento no além. Sua cabeça de chacal também indica que Anúbis não era um mero executor de tarefas: simbolizava a força do renascimento.
A Função de Anúbis no Processo de Mumificação
Na sociedade egípcia, o processo de mumificação era central para a preservação do corpo após a morte. Dessa forma, Anúbis era considerado o patrono dessa prática. Durante os rituais, o sacerdote usava uma máscara de chacal em homenagem ao deus, garantindo que cada etapa fosse concluída de acordo com o costume religioso. Sua presença durante o embalsamamento simbolizava proteção e bênção, assegurando que a alma estivesse pronta para enfrentar o julgamento.
Anúbis também desempenhava um papel crucial no “Rito da Abertura da Boca”. Neste ritual, acredita-se que o sacerdote “devolvia” os sentidos ao falecido, possibilitando que a alma pudesse ver, ouvir e falar novamente, mesmo na morte. Como guia, Anúbis guiava as almas em sua nova jornada, e o chacal tornava-se uma figura tranquilizadora para quem estava prestes a enfrentar o julgamento final.
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A Pesagem do Coração e a Função do Chacal como Juiz
Uma das tarefas mais conhecidas de Anúbis era supervisionar o julgamento das almas. No Salão de Maat, o deus Anúbis fazia a pesagem do coração do falecido contra uma pena. Se o coração fosse mais leve que a pena, a alma era pura e poderia entrar no reino dos mortos. No entanto, caso contrário, era devorada por Ammit, uma criatura mitológica.
O chacal, associado tanto à preservação quanto à destruição, reforça essa ideia de equilíbrio e julgamento. Em vez de ser um juiz rígido, Anúbis com sua cabeça de chacal representava um mediador justo. Seu papel era fundamental: manter a ordem no ciclo de vida e morte, permirtir que apenas almas virtuosas atravessassem para o além.
Por que Anúbis Foi Substituído por Osíris?
Curiosamente, Anúbis perdeu o posto de “Rei do Submundo” para Osíris, que assumiu a posição de soberano dos mortos. No entanto, Anúbis não perdeu sua importância: passou a atuar como protetor de Osíris e ainda manteve sua função de guia das almas. Em muitos textos e ilustrações, Anúbis aparece preparando o corpo de Osíris. Isso reafirmava seu papel como o deus que conduz as almas e preserva os corpos.
Essa transição indica que, embora Anúbis representasse o julgamento e a transição, Osíris simbolizava a própria ideia de renascimento. Assim, Anúbis passou a ser o “guardião dos mortos” enquanto Osíris liderava o reino onde eles habitavam.
Curiosidades sobre Anúbis e o Chacal na Cultura Egípcia
- Amuletos de Anúbis: Os egípcios, com a crença na proteção espiritual, carregavam amuletos de Anúbis para proteger seus corpos após a morte. Esses amuletos, que geralmente traziam a figura do chacal, reforçavam ainda mais o simbolismo de preservação e segurança, fundamentais no pós-vida.
- As ‘Tumbas do Chacal’: Em algumas tumbas reais, havia imagens de chacais nas paredes ou, por vezes, pequenas esculturas desses animais. Esses detalhes, por sua vez, destacavam o papel de Anúbis como guardião dos mortos, reforçando a importância de sua proteção.
- O Papel do Chacal na ‘Fé dos Mortos’: O chacal era tão respeitado que, com o tempo, passou a ter santuários dedicados exclusivamente a ele, onde sacerdotes realizavam rituais em nome de Anúbis. Assim, as oferendas feitas ao deus tinham o propósito de pedir por sua proteção durante a travessia para o além.
O Legado de Anúbis e o Chacal na Atualidade
Mesmo hoje, Anúbis continua a fascinar o mundo moderno e, por isso, aparece frequentemente em filmes, livros e séries, sendo apresentado como um guardião do mistério e da morte. Sua figura, por um lado, simboliza proteção, enquanto, por outro, evoca o perigo, mostrando assim o quanto sua representação com a cabeça de chacal permanece poderosa e intrigan
O simbolismo do chacal transcende o tempo: ele não apenas simboliza a preservação, mas também o respeito pelos que partiram. Anúbis, com sua figura metade homem, metade chacal, representa o equilíbrio perfeito entre a vida e a morte, garantindo que a passagem para o além seja segura e justa.
Anúbis e seu símbolo, o chacal, revelam muito sobre a visão egípcia de vida, morte e renascimento. Para os antigos egípcios, ele era mais do que um deus da morte; na verdade, era o protetor que guiava as almas, garantindo justiça e proteção. Além disso, o chacal reforçava sua imagem de preservador e juiz, assegurando que o ciclo da vida e da morte se mantivesse. Portanto, Anúbis permanece um ícone eterno, lembrando-nos da complexidade e profundidade das crenças egípcias e, principalmente, do respeito que eles tinham pela passagem para o além.
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